25/09/2019
Gestão Pública.

Transformação e Inovação no Setor Público

Esse conteúdo faz parte do Blog do MLG. Esse é um espaço onde as lideranças formadas pelo curso compartilham boas práticas, aprendizados e soluções que foram criadas ou otimizadas através da participação no Master em Liderança e Gestão Pública e sua atuação no setor público, privado ou terceiro setor.

O primeiro texto, da líder Vânia de Carvalho Marçal Bareicha, fala sobre a importância das transformações nos serviços públicos para a sobrevivência dos governos. Confira:

 

A capacidade de resolver problemas no Setor Público

 

Um problema pode ser considerado tudo aquilo que tem possibilidade de solução e, ao mesmo tempo, gera conflito e desconforto. Um problema complexo é aquele que possui diversos contextos, diversas situações combinadas, diversas soluções (não havendo uma completamente certa) que interagem entre si e, principalmente, está em condições inadequadas para uma solução mensurável ou simplista.

Recheados de problemas complexos, ao longo dos anos, os governos perderam a capacidade institucional de lidar e enfrentar desafios e prosperar diante de tanta incerteza e mudança.

Só que o mundo não para. Está em constante mudança, exige novas formas de atuação, novas competências e novas capacidades. E, diante dessas novas exigências institucionais, o contexto público se poluiu de um paradoxo que confunde servidores públicos e cidadãos, gera incertezas, conflitos e muito descrédito. Todo esse contexto levou a transformação da gestão pública a um dilema… será que realmente devemos acreditar na mudança?

Sem dúvidas, esse tem sido o grande conflito do servidor público e do cidadão, e esse conflito impacta frontalmente na exigência de transformar os serviços públicos, pois quem transforma são as pessoas. E, inevitavelmente, a adaptabilidade tornou-se um ingrediente essencial para a sobrevivência de quem deseja transformar algo e solucionar problemas complexos. Manter-se em uma cultura enraizada há anos cega, limita, impede uma autoanálise sobre as práticas de gestão e exige abertura para entender que frequentemente podemos fazer mais e melhor.

Se não houver mudanças de comportamento, a proposta técnica pode ser a melhor, mas não gerará o resultado esperado. Uma solução tecnicamente boa faz diferença, mas não é suficiente para que a transformação aconteça.

 

O papel do servidor público na transformação do Setor Público

 

O segredo para gerar essa transformação talvez esteja em deixar de mirar o espelho e voltar o olhar para oportunidades, pois em momentos de crises generalizadas, as oportunidades são inúmeras e únicas. Mas, por que ousar pensar em transformação dos serviços públicos se os governos têm a estabilidade e a resistência a mudanças enraizadas em seus princípios? Conceitualmente, os governos não nasceram para inovar.

Promover essa transformação não é algo básico, nem é fazer mais do mesmo. É fazer algo diferente e que agregue valor para o cidadão. É preciso sair do ciclo vicioso de apenas tratar e solucionar urgências e emergências. A percepção é não haver tempo para planejar e acertar, fazer certo, da primeira vez. Mas, por outro lado, sempre há tempo para fazer de novo, refazer e, assim, inevitavelmente, o serviço público tornou-se completamente improdutivo nos últimos anos.

Consequentemente, falar em aumentar maturidade de gestão por meio da indução de uma mudança cultural na maneira de operar seus processos institucionais, especialmente, os processos de atendimento ao cidadão, ainda parece algo utópico e insano em muitos governos. Embora o desafio pareça claro, é necessário ajustar pessoas e processos de forma articulada aos resultados esperados, sempre com o foco do cidadão.

Porém, de quem é a responsabilidade de mudar essa cultura e fazer o serviço público avançar? Dos políticos? Pode ser deles também. Mas não somente. Embora mudanças tragam desafios pessoais enormes, justamente por mudar culturas e romper padrões engessados nas rotinas e comportamentos, é nossa responsabilidade, dos servidores públicos que, como eu, precisam se desafiar diariamente, se indignar, influenciar e principalmente, sobreviver aos perigos que a mudança traz.

 

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A transformação do Setor Público na prática

 

Inserido em um contexto de crises generalizadas, o governo do Estado de Goiás acordou e entendeu que a realidade é latente, clara e exige um novo papel da gestão pública. Assim, foi fundamental repensar a atuação pública para que ela se voltasse a entregar benefícios e resultados ao cidadão. Inovar já não é uma opção. É questão de sobrevivência.

Como estratégia de sobrevivência, o Estado de Goiás criou a Jornada de Transformação, modelo que tem como objetivo principal promover uma gestão integrada e simplificada para:

A razão de ser dessa iniciativa é mudar o foco da administração pública para o cidadão, por meio da criação de uma rede de transformação e da aplicação de boas práticas de gestão. Decidiu-se ainda usar um modelo lógico visando definir que o desenho do funcionamento do programa de transformação seja factível e, principalmente, seja voltado a solucionar problemas críticos e que impactam negativamente na entrega de valor ao cidadão.

Vale destacar ainda que o conceito de Jornada de Transformação veio para representar o caminho a ser percorrido pelos órgãos e entidades estaduais e, ao mesmo tempo, aplicar boas práticas de gestão. São duas as Jornadas de Transformação:

 

Jornada de Transformação dos Serviços Públicos

 

A Jornada de Transformação dos Serviços Públicos tem como objetivos:

 

Jornada de Transformação com foco em Excelência Operacional

 

Já a Jornada de Transformação com foco em Excelência Operacional tem como objetivos:

 

Em tempos de grave crise fiscal, simplificar a prestação do serviço no setor público, redesenhar serviços, promover a sinergia entre os diferentes entes públicos, fomentar um ambiente propício à inovação, dar transparência e publicidade na execução do serviço público, entre outras iniciativas, são passos urgentes e fundamentais para a transformação ser iniciada no ambiente público. E Goiás acordou para isso.

Diante de inúmeras estratégias de gestão, o modelo de transformação surgiu como um instrumento para moldar o desenho da transformação dos serviços públicos, pois é fundamental  enxugar a máquina. Através dos canais de autoatendimento e portal digital, por exemplo, a instituição pública pode dar escala e agilidade ao serviço público oferecido. Com isso, reduz-se gastos com atendimento, por exemplo. Segundo dados de dezembro de 2018, o custo do atendimento é de  R$12,97 nas Unidades de Atendimento ao Cidadão – Vapt Vupt. Enquanto o custo do atendimento digital é em torno de R$0,32, segundo dados disponibilizados pelo Ministério da Economia.

Foi preciso despertar para a mudança, o que implicou em reconhecer que o serviço público goiano obrigatoriamente precisava se transformar pois, em último caso, naturalmente ele deixaria de existir.

 


 

Vânia de Carvalho Marçal Bareicha é gestora de tecnologia da informação no Estado de Goiás e líder MLG pelo Master em Liderança e Gestão Pública – MLG. Ela também é especialista nas áreas de: gestão pública, gerenciamento de projetos e governança de tecnologia da informação e atualmente está a frente da Superintendência Central de Transformação da Gestão Pública da Secretaria de Estado de Administração do Estado de Goiás.

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