ESG: O que é e como pode ser utilizada no setor público?
7/07/2021
Geral.

ESG: O que é e como pode ser utilizada no setor público?

É quase impossível passar pelo noticiário hoje em dia e não se deparar com a sigla ESG. Empresas de todos os portes e setores anunciando suas políticas de ESG, investidores buscando títulos ESG, longas discussões nas redes sociais para definir se determinada prática é, ou não é, ESG… mas, e o poder público? Há espaço para aplicação desse “padrão ouro” do mundo dos negócios no setor público?

Antes de responder a essas perguntas mais complexas, vamos pelo começo:


O que é ESG?

Environmental, Social e Governance, são as três palavras que formam a sigla em inglês ESG, que já foi traduzida para nosso bom português como Ambiental, Social e Governança, ou ASG. Apesar do conceito ser um pouco mais antigo, a sigla foi utilizada pela primeira vez em 2005, em um relatório endossado pelas maiores instituições financeiras do mundo.

Nesse documento são apresentadas uma série de boas práticas relacionadas a questões ambientais, sociais e à governança na gestão de ativos, atreladas a uma defesa técnica sobre o impacto positivo da implementação dessas boas práticas nos resultados financeiros dos negócios. Em outras palavras, os principais “donos do dinheiro” no mundo inteiro disseram: um bom negócio precisa ter mais do que bons índices financeiros. Ele também precisa ser sustentável, socialmente responsável e ter uma conduta corporativa íntegra.
Vamos conhecer alguns exemplos de boas práticas em cada um dos três pilares, para entender um pouco mais sobre a sua importância.


E, de environmental, ou responsabilidade ambiental

Os critérios ambientais do ESG incluem algumas práticas como a gestão de resíduos, o uso de fontes renováveis de energia e a implantação de políticas de negociação com fornecedores que exijam certificações ambientais e o uso de insumos orgânicos, por exemplo.
Aqui vale um alerta para uma prática que também tem ganhado destaque nos últimos tempos: o greenwashing, ou a “maquiagem verde”. Uma espécie de “jeitinho”, usado por algumas instituições que tentam passar uma aparência de sustentável, se aproveitando do aumento na preocupação do consumidor em torno do tema de forma desonesta.

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) mostrou que 48% dos produtos analisados continham informações falsas sobre responsabilidade ambiental. O uso de títulos como “cidade verde” e “estado sustentável” por alguns órgãos públicos, quando usados apenas a título publicitário e sem ações práticas relacionadas ao meio ambiente, também podem ser enquadradas como greenwashing.

Podcast Coisa Pública: Por que precisamos falar sobre a agenda de sustentabilidade ambiental?


S, de social, ou responsabilidade social

Os cuidados com as pessoas em torno dos processos de uma organização, sejam elas clientes, fornecedores, contribuintes, funcionários ou outros grupos impactados indiretamente, como a população ao redor de uma fábrica e os familiares de um beneficiário de programa assistencial, estão incluídos nesse eixo.

Um relatório elaborado pela Refinitiv, abrangendo 9 mil ações que representam 80% da capitalização no mercado global, mostrou que a correlação entre as pontuações ESG e o valor de mercado das empresas analisadas foram positivas e significativas, além de sugerir uma menor volatilidade em relação às empresas com baixa pontuação. Esse mesmo estudo mostra que organizações responsáveis pela adoção de uma abordagem humana, que colocam em primeiro lugar as necessidades de seus funcionários, passaram a ser tratadas como prioridades para investimentos de longo prazo.


G, de governance, ou governança

Transparência e integridade são as principais preocupações desse eixo, mas temas como um processo de gestão de riscos bem ajustado e o zelo pela independência, equidade e diversidade nos conselhos, também são cruciais para o bom desempenho de uma organização em ESG.

Segundo dados da McKinsey, organizações que prezam pela diversidade têm retorno financeiro 35% superior à média do mercado. Em outra pesquisa, publicada pela revista Forbes, é feita uma relação direta entre a maior diversidade (de gênero, étnica, regional…) e a capacidade de inovação de uma organização. Isso para não citarmos as iniciativas de transparência e compliance, que foram impulsionada pelos frequentes casos de corrupção nos últimos anos e seus impactos na imagem e nos resultados dessas empresas.


ESG no setor público

O alinhamento do setor público com as premissas do ESG se confundem muito com as próprias obrigações do Estado e, no caso específico do Brasil, com os princípios fundamentais da República, listados no título inicial da Constituição Federal de 88. A nível global, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, uma coleção de 17 metas acordadas em 2015 pelos países que formam a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável da ONU, ofereceram ao mundo uma agenda para promover um alinhamento de esforços nesse sentido. Basta dar uma olhada rápida no conteúdo dos dois links anteriores para encontrar a resposta da pergunta inicial: sim, ESG tem tudo a ver com o setor público.

Todo clamor em torno do tema e de sua aplicação no setor privado tem nutrido iniciativas que viabilizem a mensuração dos temas relacionados ao ESG também no setor público, permitindo uma melhor visualização na qualidade do tratamento dado ao assunto por cada um dos entes federativos e permitindo que o controle social e, consequentemente, a pressão social, principal motor do serviço público, façam com que a governança ambiental e sustentável se tornem agendas fortes e motivem a criação de políticas públicas para seu aprimoramento.

Foi nesse sentido que caminhou a parceria entre o Centro de Liderança Pública (CLP) e a SEALL, que resultará no Ranking de Competitividade dos Estados baseado em medidas de ESG. A iniciativa abrangerá mais de 30 fontes de dados públicos, que serão avaliadas com base nos principais critérios internacionais para o setor, trazendo as organizações públicas para uma arena de debates técnicos sobre o assunto e permitindo que o Estado ocupe seu papel de protagonista nessas discussões.

Podcast Coisa Pública: O ESG chegou ao setor público

Você conhece alguma iniciativa pública interessante de ESG? Compartilhe com a gente! O CLP está se envolvendo cada vez mais com os critérios ESG e seria excelente poder compartilhar novos cases com a nossa comunidade. Esperamos você no Facebook, no Twitter, no LinkedIn e no Instagram.

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André Tomazetti é gestor público com ênfase em planejamento estratégico, já liderou equipes de comunicação, mobilidade, vigilância em saúde e gestão, além de participar ativamente de campanhas eleitorais desde 2010, tanto na elaboração de planos de governo quanto na geração de conteúdo para rádio, TV e redes sociais.

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